Em 2009, segundo dados do Sistema Nacional do Emprego em Londrina, o telemarketing abriu cerca de 6,5 mil vagas no Município
Londrina atende rapidamente aos chamados do mercado. O bom desempenho corresponde, principalmente, à área de telemarketing que, em 2009, absorveu 20% das vagas do setor de prestação de serviços. Em números aproximados, isso significa que foram 6,5 mil empregos gerados. Os sinais devem continuar fortes em 2010. “A expectativa é muito boa para o setor de serviços e, prioritariamente, para a área de call center”, observa Neiva de Cássia Vieira Sefrin, coordenadora do Sistema Nacional do Emprego (Sine) em Londrina.
De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), órgão do Ministério do Trabalho, no ano passado houve variação positiva de 4,4% no saldo de admitidos e desligados. Só em janeiro, o crescimento foi de quase 1,1% em relação a dezembro de 2008. Novamente o setor de serviços alavancou as estatísticas, com grande impacto dos telesserviços. “Foi o melhor janeiro de todos os tempos para Londrina desde que foi criada essa ferramenta”, diz Neiva referindo-se ao Caged, fundado em 1999.
Os serviços de call center estão intimamente associados ao primeiro emprego, embora as empresas tenham programas de recolocação de pessoas com faixa etária mais elevada. A média de salário para iniciantes é de R$ 510 mais benefícios, como vale-transporte, vale-refeição e planos de saúde e odontológico.
A carga de trabalho é de seis horas – com intervalos de 40 minutos determinados pela legislação trabalhista – e é necessário ter 18 anos e noções básicas de informática. O treinamento específico para atuação como atendentes ativos (aqueles que entram em contato com clientes) ou receptivos (que recebem ligações) é oferecido pelas empresas.
A rotatividade é alta. Um dos motivos seriam o perfil dos interessados nas vagas, a maioria jovem - estudantes e universitários, inclusive - que veem uma forma de complementação de renda. Muitos aproveitam o crescimento adquirido e partem em busca de outras oportunidades profissionais.
Para não perder o investimento feito, as empresas tentam reverter o quadro oferecendo, por exemplo, possibilidades de ascensão interna e acesso ao ensino superior através de aulas presenciais e educação a distância (EAD). “É importante dizer que as empresas de call center trazem uma nova versão de gestão”, analisa Neiva Sefrin.
Otimista, a Associação Brasileira de telesserviços (ABT) prevê, em 2010, a criação de mais de 100 mil novos empregos diretos nas empresas de call center. A estimativa é de um faturamento de aproximadamente R$ 6,6 bilhões com a manutenção da expectativa de crescimento em 10%, média verificadas nos últimos anos.
“No ano passado, o setor conseguiu crescer em volume de empregos e faturamento, apesar da crise financeira que abalou a economia mundial”, diz Jarbas Nogueira, presidente da ABT. “A ABT e as empresas de call center são as maiores defensoras da permanente busca da qualidade”, complementa.
Mulheres são a maioria
A Associação Brasileira de Telesserviços (ABT) estima que as empresas de call center empregam cerca de um milhão de pessoas em todo o Brasil. A grande maioria (86%) dos atendentes é composta por mulheres. A paciência e atenção desdobrada seriam as principais justificativas para a predominância feminina. Do total de atendentes, 74% possuem o segundo grau completo e outros 22% têm curso superior. Do universo pesquisado pela ABT, 45% de empregados são jovens em seu primeiro emprego.
O levantamento informa ainda que cerca de 65% das empresas estão no eixo São Paulo- Rio de Janeiro, enquanto 5% se estabeleceram na região Sul. Os principais setores contratantes de call center são os de serviços financeiros, varejo, telecomunicações, seguros e editoras.
Primeiro emprego, volta à ativa e autoestima elevada
O estudante Pedro Alves Salvador, 18 anos, se conteve para não rir quando uma cliente pediu o número do telefone cantando a vinheta promocional de um famoso shopping. Esse foi um dos episódios mais pitorescos por que ele passou desde que começou a trabalhar como atendente de call center. É o seu primeiro emprego. “Não acreditava que conseguiria o emprego na primeira tentativa”, diz. O salário que recebe é aplicado, com ajuda dos pais, no pagamento da mensalidade do curso de Biomedicina, que gira em torno de R$ 800. Empregado desde janeiro deste ano, o jovem se mostra animado com a atividade. “Às vezes é preciso ter paciência nos atendimentos, mas ainda bem que sou calmo”, diz. Pedro avisa que o emprego é temporário: em breve, ele pretende conseguir um estágio remunerado.
Quem está com a autoestima em dia é Jorge Luiz Carlos Fadel, 57 anos. “Estou reintegrado à população ativa e isso me devolveu o ânimo”, comemora. Como atendente de call center desde novembro do ano passado, ele está conseguindo complementar a renda mensal também de uma empresa caseira de software que fornece material para controle de finanças de condomínios. “Eu gosto de trabalhar aqui” completa. A mulher de Fadel deverá, nos próximos dias, fazer testes de admissão na mesma empresa.
O Sinttel, sindicato da categoria em Londrina, informa que as reclamações mais frequentes dos teleatendentes dizem respeito ao salário e sobrecarga de trabalho.”Procuramos solucionar as queixas , na medida do possível, junto às empresas. Se há um acordo coletivo discutido em assembleia temos que cumprir”, explica o diretor João Henrique Schmidt.
Dedic e Ask são as maiores empregadoras
A Dedic GPTI e a Ask! Companhia Nacional de Call Center são as principais empresas de teleatendimento instaladas em Londrina e, juntas, empregam cerca de duas mil pessoas. A primeira, que presta serviços para a Vivo, atua desde 2000 e é responsável pela maior fatia. Com a ampliação do seu call center, na última sexta-feira (leia na página 8), pretende atingir 3 mil empregos direitos em 2010. A empresa, administrada pela Portugal Telecom, investiu R$ 26 milhões na construção do prédio.
“A cidade de Londrina tem nos mostrado com um local estratégico e estamos prontos para ampliar nossa operação na região, de acordo com a demanda local”, declarou Paulo Neto Leite, presidente da Dedic GPTI, em material de divulgação distribuído à imprensa. A meta é contratar imediatamente 200 novos funcionários. Para se ter uma idéia das pretensões da empresa, no último sábado o programa Contrata Fácil, desenvolvido pelo Sine/Londrina, iria se instalar na escola municipal do Jardim São Jorge (zona norte) para oferecer diversos postos de emprego. Só para o call center da Dedic seriam disponibilizadas 634 vagas.
O quadro funcional da Ask! é composto por cerca de 500 funcionários. Fundada em 1999 a empresa de Londrina nasceu para atender principalmente a Sercomtel. A companhia telefônica local e o Consórcio União são os principais clientes. De acordo com Jefferson Belasque, presidente da empresa, em torno de 1,5 mil pessoas obtiveram o primeiro emprego desde o início das operações. “Ainda há muito espaço para crescer. O setor tende a ser um ótimo negócio para as empresas que se prepararam., analisa Belasque. (AMJ)
Fonte: Jornal de Londrina
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